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Segue abaixo o belo artigo de Pedro Duarte,doutorando da Puc/Rj

http://www.revistaviso.com.br/visArtigo.asp?sArti=35

O corpo em Epicuro pode ser entendido como um agregado(athroisma),um ente físico constituído de átomos e vazio,e,ou, uma estrutura orgânica viva,dona de uma natureza própria.Não obstante,o corpo ainda se relaciona com o mundo procurando uma “medida de ser” referente a sua natureza,um equilíbrio corpóreo,uma boa disposição no mundo:Cada corpo se relaciona com outro,em uma relação de afecção,recebendo as impressões sensoriais enviada pelo outro,julgando-as e  retendo-as ou dispensando-as caso seja necessário ao mantimento de si mesmo.Esse processo só é possível graças a uma parte específica do corpo:A alma.Pois,é ela que concede ao corpo seu movimento de ser(o movimento a sua boa disposição) e o impulso para sua condução no mundo:É por ela que se torna possível compreender o entorno que lhe cerca,suas possibilidades e a si mesmo,para poder,enfim,buscar uma boa disposição,saciando,portanto,as condições básicas para o equilíbrio corpóreo:Saciar a fome,a sede e o frio.Pois,caso contrário o corpo adoece,dificultando um estado satisfatório de vida.Em outras palavras,para Epicuro uma boa disposição é fruto de um cuidado do corpo.

Outro Filósofo que refletiu filosoficamente sobre corpo foi o Sócrates de Xenofontes:Para ele o cuidado com o corpo(Pela frugalidade e fortalecimento do corpo) era o primeiro passo a conquista da prudência a qual,por sua vez,era instrumento necessário para a finalidade ultima da filosofia ,ou ao menos dessa versão, de Sócrates:Tornar-se senhor de si e conquistar a liberdade.Isso porque o aprimoramento do corpo não finda apenas no corpo,mas se estende para alma.

A Frugalidade,para Sócrates, consistia em alimentar-se de alimentos in natura,sem excessos de condimentos,  na medida do necessário:Para saciar a fome e a sede.Dessa forma,o corpo estará livre da escravidão da glutonaria,de uma alimentação compulsiva,e da sua deformação,aprimorando-o e fortalecendo-o.

Não obstante,o fortalecimento do corpo ocorreria também pelos exercícios físicos.Assim,fortalecido e seguindo uma boa dieta,o corpo poderia suportar um entorno hostil,seja um clima árido ou frio,vivendo dos alimentos dispostos pela região.Enfim,Conquistando por essa práxis filosófica a prudência,Livres,portanto,dos vícios e dos confortos,o homem via-se,afinal, livre,senhor de si e com a vida mais fácil para si.

Enfim,apesar de retratarem o corpo de formas diferentes,Epicuro e Sócrates convergem em um sentido:Ambos acabam por falar de como o cuidado do corpo é fundamental para a vida de uma estrutura orgânica,seja para sua boa disposição ou para as liberdade.

p>Depois de tanto tempo estou de volta com um texto insólito:trata-se de um ensaio sobre a primeira meditação,do livro meditações,do descartes.Nada sério,mas talvez sirva de um aperitivo que lhe abra o apetite para esse filósofo moderno:

O livro Meditações de descartes tem por finalidade,segundo sua carta a Sorbonne, demonstrar que a existência de Deus, e a imortalidade da alma, são conhecimentos mais seguros do que os concedidos pelos sentidos.Outros,cogitam que seja destinguir o corpo e a alma.Nesse sentido,adotando a segunda cogitação, que a primeira meditação tentará universalizar a duvida aos saberes baseados nos sentido,propondo,primeiramente, que não se pode dar crédito a tudo que não for inteiramente certo e a tudo que alguma vez já nos enganou.Estas posições são importantes para validar os quatro argumentos da primeira meditação:

  • O argumento do Erro dos sentidos- O sentidos, algumas vezes, enganam.Como não se deve dar crédito a tudo que já nos enganou,é preciso não confiar inteiramente nos sentidos.Mas o argumento é insuficiente para se fazer duvidar de impressões sensoriais tidas como obvias, como uma pessoa estar a escrever ou ler perto de uma lareira.
  • O argumento do sonho- Todavia, os homens sonham e nos sonhos costumam representar as coisas vividas na vigília. Muitas vezes, os homens são enganados pela impressão de nitidez e clareza em um sonho e acham que estão acordados enquanto estão dormindo. Se os homens devem duvidar do que já os enganou, então eles devem duvidar dessa impressão. Ora, se é por ela que se guiam, então qual é a certeza que se tem que de fato se estão a ler e não a sonharem que lêem?Na verdade, pode ser que as coisas e seus corpos não são como agora aparentam.É possível que o que vêem seja uma representação fictícia do seus corpos e das coisas.Porém, o argumento não é suficiente para universalizar a dúvida a todos os saberes do sentido.Isso porque mesmo que todas as coisas sejam uma representação fictícia,o que compõe todos os corpos,a extensão,a quantidade e números, existem ainda indubitavelmente e,conseqüentemente,as ciências que as estudam,aritmética e geometria,ainda são matérias certas.
  • Argumento do Deus enganador- Porém,se é verdade que existe um Deus criador e onipotente,e ele não fosse benevolente,por sua onipotência ele poderia enganar os homens em todos os âmbitos.Poderia Ele não ter criado nenhum céu,terra,grandeza ou extensão e fazer com que sentíssemos todas essas coisas como se de fato existissem.Além disso,O Deus poderia nos fazer errar toda vez que calculássemos ou toda vez que somássemos os lados de um quadrado.Um quadrado poderia ter 5 lados,2 mais dois poderia ser 5,mas Deus faria com que pensássemos que o resultado seria,em ambos os casos,4.A partir daí a dúvida está universalizada a todo conhecimento empírico.
  • Argumento do Gênio maligno- Esse argumento é similar ao do Deus enganador.Aqui,sua função é retórica,é um artifício para reforçar ainda mais no leitor a duvida radical e universalizada no conhecimento empírico.

 

Como existem os homens que vivem no ar,existem aqueles que são novos jovens:A juventude repleta de frescor,ardor e eloqüência;O novo jovem discorre sobre a camada mais fina da vida,percorre os campos e as cidades,ele sabe de tudo.Alguns ao crescer não crescem:Estendidos,parados,Transcorrem a vida para imaginação( desse modo podemos dizer que eles vivem no ar);E nas idéias,e nos sonhos,e nos desejos imagináveis e estupidamente  concebíveis,existem.Morrem aos 80 novos,os novos jovens puros e castos guardam no coração a figura monstruosa de um dois deuses:Jeová e o Eu.Eles morrem Sábios.

Entretanto,as vezes,quando um jovem está deitado na cama de sua amada,lembrando de seu belo amante,quando encontra-se no mercado e visualiza uma árvore morta,vê,por fim, a vida escorrer de suas mãos e afunda o novo jovem em uma energia trágica e absurda,que traz os momentos mais felizes e atrozes:”Estou tão feliz!Por quê?Para que vivo para o pão e para sexo?Afinal,por quê quero eu ser tão feliz?”O peito aberto,então,vê a morte levantar seus braços;e seus sonhos deságuam em um paraíso inalcançavel e inerte.O jovem agora é velho,o velho jovem.Ele sinaliza com as mãos para o céu que a vida é curta,os céus não o responde.”Deus não existe,não há propósito para existência!”Ele agora não sabe,tudo é desconhecido e novo.A alegria é a uma fonte inalcançável e sem propósito,e o saber não tem tais formas antigas,tudo é contingente e o homem é ignorante.Na terra,usufrui das flores,do amor,da vida como fim ultimo.Essa deve ser a nossa juventude,os velhos jovens devem ser camunianos.

A filosofia de sócrates por Xenofontes volta-se a práxis,as coisas humanas,objetivando formar um homem forte,livre,sábio,bom amigo,que alcance,portanto,a kalokagathia.Seu pensamento segue este rumo graças a visão socrática a cerca da função dos oráculos:Eles deveriam ser consultados pelos homens quando os recursos humanos fossem incapazes de dar uma resposta a uma de suas questões ou quando sua consequência fosse imprevisível.Logo,não se deve recorrer aos oráculos quando os recursos dos homens responderem suas questões:Na realidade,isto seria impiedade com os deuses.Tão impiedoso quanto pergunta aos deuses até onde pode se chegar com os recursos humanos.Assim,há dois tipos de assuntos:Os que dependem dos seres humanos e os que dependem da interferência divina,das visitas aos oráculos.Neste contexto,é óbvio o motivo de Sócrates se voltar aos assuntos dos homens,no seu caso a virtude.

O homem deve,portanto, se guiar pela prudência,frugalidade,fortalecendo o corpo e procurando o auto-domínio para alcançar a kalokagathia,a amizade e a liberdade.

O fortalecimento do corpo advém,para este Sócrates,de exercícios e de bons costumes como o bom comer:Esse bom comer consiste em deglutir alimentos in natura, de facil acesso e com prudência,ou seja,na medida que dê prazer.Assim,quando o homem está com o corpo forte pelo processo,ñão só está suporta as condições hostis como não é um glutão,um escravo de uma excessiva alimentação.Ele é,enfim,livre de seu entorno,capaz de viver e de se alimetar do que qualquer ambiente possa lhe oferecer.

Do mesmo modo,o Sócrates por Xenofonte irá aconselhar prudência nos desejos sexuais:Usufruir deles apenas para saciar as suas necessidades,para não se tornar escravo desses desejos.

Neste contexto,o homem ainda deve ser despojado para alcançar a kalokagathia,não amar os beens materias,não ser escravo do seus conforto tornando-se generoso e ganhando bons amigos.Ora,Tornar-se um homem belo,bom e virtuoso não acarreta apenas na liberdade,mas também em melhores amigos.Isto fica claro na resposta dada por sócrates a Antífon quando este criticou Sócrates por não cobrar por suas aulas,como os sofistas,por usar um manto velho e não ter sandalias.sócrates diz que não cobra taxa para que não seja obrigado a falar com alguem porque lhe paga,para que continue senhor de si.O manto lhe serve perfeitamente para se cubrir e o preotege do frio e que não usa sandalias porque o fortalecimento do seu corpo permite não utiliza-las.Assim,desapegado dos confortos dos bens materias,Sócrates é livre,capaz de compartilhar,já que não desejará os bens dos outros,tornar-se justo,generoso e consequentemente mais digno de ser amado por bons amigos,pessoas igualmente justas e generosas.

Sócrates dividia o amor(eros) em dois:O celestial e o vulgar.

O amor entre os bons amigos é o celeste,o amor duradouro pela alma que busca ajudá-lo,trata-o com zelo.Amor que cresce na medida que o amado se torna mais sábio.Porém,o amor vulgar pode ocorrer em pessoas que se odeiam,é fugaz e toma o outro como objeto do qual o que ama se apoderou,usufruindo do amado até a exaustão.

O homem sábio,portanto,é aquele digno do amor celeste:ele possui a sabedoria.Sócrates defini a sabedoria humana como aquela que parte do conhecimento de que nenhum homem pode conhecer,saber, de tudo,buscando a utilidade das coisas,o modo correto de lidar com as coisas,sendo prudente,procurando os atos bons e belos,já que o que é util é bom e belo.Sendo sábio o homem seria um bom líder,livre,já que dominaria a si mesmo e conheceria suas capacidades.Porém,nas memoráveis podemos encontrar uma contestação a este pensamento socrático:Não há uma via intermediaria entre a escravidão e a liderança,uma que não seja tão ardua quanto o caminho para a prudência,a sabedoria e a kalokagathia?Sócrates responde que se existisse tal via,o homem que a trilha se não serviria,de fato,espontaneamente o lider,o forte, mas seria subjugado a servi-lo porque o direito do mais forte,deixa implicito, é um principio normativo da sociedade humana.

“Mas,se essa via não conduz ao mando nem à escravidão,poderias igualmente dizer que nem aos homens.Se,em todo caso,entre os homens crês estar essa via,e não julgas conveniente nem governar nem ser governado,nem servirás espontaneamente aos que governam,penso que deves ver os mais fortes têm o hábito de usar como escravos os mais fracos,determinando os quixosos tanto na vida pública quanto na vida priada.Ou te passam despercebidos os que cortam o trigo e as árvores daqueles que enrolam o trigo em espirais e plantam árvores,atormentando de toas as maneiras os mais fracos que não desajm servir,até que esses se convençam a escolher serem escravos ao invés de fazer guerra aos mais fortes?Pois não sabes que também na vida particular os corajosos e os poderososo arrebatam os covardes e os impotentes,que são então escravizados?”

Para o sócrates de xenofontes é na puberdade que o homem decidirá se irá trilhar o caminho da sabedoria ou da ignorância:é nessa fase que se apresenta pela primeira vez o erotismo em seus dois aspectos,o celeste e o vulgar.Se  o homem escolhe o vulgar perde-se no vício,mergulha na ignorância e achará que vive da melhor maneira possível.Entretanto,se o homem escolhe o amor celeste,aquele voltado a alma e de belas ações,caminha para virtude e verá no outro caminho não prazer,mas compulsão.Ele verá,aco contrário,prazer na excelência e no esforço para se realizar,caminhando para a sabedoria e a kalokagathia.

David fincher está amplamente famoso graças ao filme O curioso Caso de Benjamim button,filme que arrecadou uns tantos ‘oscares’,críticas e afins.Ele,o diretor,mostrou novamente a capacidade de criar emoção através da pelicula:De conseguir passar do absurdo ao realismo,da sutileza ao chocante.Digo novamente porque os seus trabalhos anteriores expressam,de forma explícita,o carater cínico de seu trabalho,o seu desdém aos valores vigentes da sociedade,ao menos como forma de se fazer arte.

Analisemos,então, o filme clube da luta:Nada demais na estrutura do roteiro,bem “yankee” e escroto,chato.Uma estória com outra paralela de uma mulher e um homem(o casal).Encontro,União,Briga ,impasse e conclusão.Entretanto,a estória aí desenvolvida é muito interessante.David Fincher conseguiu dar um “Soco na mente” do burguês porque vai de encontro aos valores burguese cristãos utilizando da marginalidade,agressividade,auto-destruição,egocentrismo,antiss0ciabildade,esquezofrenia como vetores que levam a uma abertura verdadeira e completa com o ser,com a vida.A anarquia caótica,a destruição no conceito heideggeriano,transformar em pó o que existia e re-estruturá-lo através de uma interpelação do destruidor ao destruido,como uma maneira de se valorizar a vida.

Edward Norton é um burguês clássico,ótimas roupas,um bom apartamento,bons móveis,um bom emprego e uma vida ocupada pelos valores capitalista(O dinheiro como um fim por si mesmo,rebaixando a sensualidade e o prazer ao mais baixo valor existente).Ele se torna um neurótico sofrendo de insônia e uma certa hipocondria,viciando se em grupos de ajuda a homens com câncer,demencia,parasitas,viciados em drogas,pneumonia.Lá,ele encontra “a salvação no fim da esperança” e volta a dormir.Entretanto,conhece marla singer.Ela,uma sociopata fixada na idéia da morte, o atrapalha ao ir nos “seus grupos”,ele não consegue suportar sua sombra,seu lado negativo,que ele está lá mentindo,ele não está morrendo como eles,assim como ela.Ela reflete sua mentira.Esse é o estopim.Acaba conhecendo Tyler Durden,um notívago vagabundo vendedor de sabotes,descobrindo uma forma de,canalizando o ódio e agressividade neles existente,contrabalancear a má utilização de sua vontade,lutar.Porém,eles não estão sós.Eles descobrem outros que aderem o seu estilo de vida e criam o Clube da luta.

É interessante analisar esse ponto:Nele fica explícito que a doença de Norton não é,simplesmente,por má administração de suas emoções,por tendências sadomasoquistas ou depressivas.A doença é fruto da circunstância criada pela sociedade,ou seja pelo conjunto de indivíduos que controlam-na e fundaram-na em valores que lhe beneficiam,que lhe entregam liberdade para o poder.É em frente a ela(circunstância) que o homem fica doente,faz a sua escolha pouco fundamentada em uma opinião crítica.É por isso que tantos homens aderem aos clubes.Opinião pouco crítica pois a mídia cede infromações inútis,ilusórias,que constroem de forma determinista,em uma dialética com a liberdade de escolha do indivíduo, os valores dos indivíduos.

E quais valores são esses??É o carro,a educação “passe no vestibular”,seja rico,famoso,idolatrado:carente.Nesta sociedade o homem não pode ser autônomo,dono de si.Não pode ter amigos ou amar, ou melhor,ame-se o dinheiro,acredite em deus,repudie a você mesmo e se adore.Tenha odio a vida.

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