p>Depois de tanto tempo estou de volta com um texto insólito:trata-se de um ensaio sobre a primeira meditação,do livro meditações,do descartes.Nada sério,mas talvez sirva de um aperitivo que lhe abra o apetite para esse filósofo moderno:
O livro Meditações de descartes tem por finalidade,segundo sua carta a Sorbonne, demonstrar que a existência de Deus, e a imortalidade da alma, são conhecimentos mais seguros do que os concedidos pelos sentidos.Outros,cogitam que seja destinguir o corpo e a alma.Nesse sentido,adotando a segunda cogitação, que a primeira meditação tentará universalizar a duvida aos saberes baseados nos sentido,propondo,primeiramente, que não se pode dar crédito a tudo que não for inteiramente certo e a tudo que alguma vez já nos enganou.Estas posições são importantes para validar os quatro argumentos da primeira meditação:
- O argumento do Erro dos sentidos- O sentidos, algumas vezes, enganam.Como não se deve dar crédito a tudo que já nos enganou,é preciso não confiar inteiramente nos sentidos.Mas o argumento é insuficiente para se fazer duvidar de impressões sensoriais tidas como obvias, como uma pessoa estar a escrever ou ler perto de uma lareira.
- O argumento do sonho- Todavia, os homens sonham e nos sonhos costumam representar as coisas vividas na vigília. Muitas vezes, os homens são enganados pela impressão de nitidez e clareza em um sonho e acham que estão acordados enquanto estão dormindo. Se os homens devem duvidar do que já os enganou, então eles devem duvidar dessa impressão. Ora, se é por ela que se guiam, então qual é a certeza que se tem que de fato se estão a ler e não a sonharem que lêem?Na verdade, pode ser que as coisas e seus corpos não são como agora aparentam.É possível que o que vêem seja uma representação fictícia do seus corpos e das coisas.Porém, o argumento não é suficiente para universalizar a dúvida a todos os saberes do sentido.Isso porque mesmo que todas as coisas sejam uma representação fictícia,o que compõe todos os corpos,a extensão,a quantidade e números, existem ainda indubitavelmente e,conseqüentemente,as ciências que as estudam,aritmética e geometria,ainda são matérias certas.
- Argumento do Deus enganador- Porém,se é verdade que existe um Deus criador e onipotente,e ele não fosse benevolente,por sua onipotência ele poderia enganar os homens em todos os âmbitos.Poderia Ele não ter criado nenhum céu,terra,grandeza ou extensão e fazer com que sentíssemos todas essas coisas como se de fato existissem.Além disso,O Deus poderia nos fazer errar toda vez que calculássemos ou toda vez que somássemos os lados de um quadrado.Um quadrado poderia ter 5 lados,2 mais dois poderia ser 5,mas Deus faria com que pensássemos que o resultado seria,em ambos os casos,4.A partir daí a dúvida está universalizada a todo conhecimento empírico.
- Argumento do Gênio maligno- Esse argumento é similar ao do Deus enganador.Aqui,sua função é retórica,é um artifício para reforçar ainda mais no leitor a duvida radical e universalizada no conhecimento empírico.