Nostalgia total. Um conhecido comprou um computador e deixou as peças aqui em casa, para que eu fizesse a montagem, instalasse o sistema, os outros programas necessários etc. Aproveitei a oportunidade para ir escrevendo as sensações novas e antigas, os tradicionais aborrecimentos, o fascínio pelas peças de um computador, as mudanças perceptíveis neste curto espaço de tempo…
Abri o caixote maior, virei-o de lado, sacudi: o barulho de lata vagabunda batendo no chão é inconfundível: o gabinete era genérico. Quem conhece um pouquinho de gabinetes sabe identificar o bom do ruim pelo barulho produzido quando o barato leva uma pancada. Você pode imaginar as chapas laterais tremulando, o painel plástico frontal mostrando que não está tão bem encaixado assim.
Abri o gabinete, constatei o que já era claro: Chapas molengas. Por dentro, uma fonte vagabunda, daquelas que o fabricante simplesmente não coloca a “potência” nem a marca, que é pra nem tentar enganar mesmo. “Olha, esta fonte é basicamente um brinde pela compra do gabinete, que por sua vez já não é grandes coisas”. Tomando todo o cuidado pra não ganhar um tétano de brinde, chequei os (pouquíssimos) parafusos que vieram com o gabinete, e fui instalar o painel traseiro. Aqui cabe uma observação importante: Você só passa a respeitar a instalação de um painel traseiro de placa-mãe quando se corta com as rebarbas de um gabinete vagabundo.
Já aconteceu comigo, então fui com todo o cuidado possível desta vez. Parti então para placa-mãe e processador. A primeira é uma Gigabyte (ótima marca), produzida (de modo terceirizado) em Manaus, com um chipset satisfatório (intel 945). Quando a Gigabyte começou a emprestar sua marca para que pequenas fabricantes brasileiras produzissem placas, críticas surgiram, disso eu me lembro bem. Espero que tenham melhorado desde então. Espetados na placa, dois pentes de memória DDR2. Subiram as frequências para este novo padrão de memórias, mas subiram também as latências. Na prática: agora fazem 700 milhões de viagens por segundo, contra 400 milhões dos pentes antigos, só que o tempo gasto para puxar um dado, gravar um dado, apagar um dado etc, cresceu bastante. Tradução: pouco ou nada mudou nas memórias.
Catei a caixa do processador (intel e2140, e2160, algum conroe assim) e fui dar uma olhada no conteúdo. O cooler parece uma merdinha. Sou do tempo que cooler era Vcom monstrão, ou aqueles volcanos que gelavam até pensamento, mas não deixavam ninguém dormir. O processador está ainda menor do que era antes, só que agora com uma sacanagem nova da intel.
Que sacanagem? Bem, a maioria dos defeitos em processadores ocorriam nos seus contatos. São literalmente centenas de minúsculas e sensibilíssimas perninhas de ouro que faziam o processador conversar com a placa-mãe. A intel passou os contatos de ouro para os fabricantes de placas-mãe, deixando seus processadores lisos. Agora eles não gastam (tanto) com ouro, não recebem tantos processadores avariados para que sejam feitas trocas, e quem se arromba sou eu, que tenho que trocar uma placa-mãe inteira, caso um pino de processador fique torto.
Mas o clímax da noite estava por chegar: Você já instalou um cooler de processador? Eu já. Alguns (montes). Não é tarefa fácil. Se você é inexperiente, perdeu a prática, ou as duas coisas, é um saco. Este cooler da intel me tomou uns 20 minutos e uns 10 quilos de gordura acumulada para ser instalado. São 4 pinos, um em casa extremidade do cooler (que é redondo). Você tem que empurrar esses pinos na direção da placa-mãe, com a força de uma jega parida, e ainda girar a desgraça no sentido horário, pra travar um pino ninja. 4 vezes. E tem uma ordem certa, se errar a ordem, não rola.
Desnecessário dizer que eu errei a tal ordem umas 3 vezes. Tentei montar com a placa-mãe no colo, não deu. Na bancadinha, idem. Na cama, menos. Acabei colocando a placa-mãe no gabinete (olha o tétano!) antes de instalar o processador. Mas tá legal, montei um pedaço da máquina, amanhã concluo a montagem e boto a criança pra rodar. =D
Ah, já ia esquecendo: tive uma boa surpresa com as memórias. O cara tinha me dito que os pentes de memória seriam da Kingston, uma marca conhecida por dar muito probleminha de incompatibilidade, de não querer ligar o sistema por besteira… enfim, uma marca frufru. As memórias que vieram são realmente da Kingston, mas os chips grugados nos pentes são da samsung! Bem, de memória samsung eu sou fã. Se a memória é pau-pra-toda-obra ou bicha-fresca, eu só vou saber quando ligar, logo mais. =D