Estou abismado com o tamanho e a beleza do poema que li agora a pouco, lá no CMI. Um cabra de talento escreveu um barato gigantesco, do tamanho dum cordel (dos menores, mas ainda assim…), reclamando que a região onde ele mora está se acabando porque socaram eucaliptos no Vale do Paraíba.

As multinacionais da área da celulose não podem mais fazer o que querem em seus países de origem, aí elas vêm pro Brasil cheias de grana e de “boas intenções”, para purificar nosso ar com suas plantações de eucaliptos, destinados à obtenção de celulose. Chegam falando manso, mostrando todos seus prós, comprando os governos, e vão se instalando.

Em vez de plantarmos comida, plantamos agora o papel onde os gringos vão limpar seus ricos rabos. Em vez de buscar diversificar a produção do campo, dar terra pra quem quer trabalhar nela e priorizar o não-uso de tudo que é veneno, cria-se uma monocultura desgraçada, na mão de um finlandês albino ou dois, que ainda por cima socam veneno na terra até dizer chega.

E aí, é só isso? Não… uma plantação de eucaliptos não é chamada de “deserto verde” à toa não, e não precisa ser agrônomo pra saber disso. O diabo da planta suga toda a água que encontrar no sub-solo, levando qualquer atividade de agricultura vizinha à plantação de eucaliptos à falência.

Mas tá bom, não vamos nem falar da campanha racista da Aracruz no Espírito Santo pra exterminar índio e quilombola, pra plantar mais, né? Vamos ao poema do cabra. Créditos:
(Ditão Virgilio, publicada no “Estórias de Uma Perna Só” No. 19 13.08.2007 São Luiz do Paraitinga – SP). Veja o começo:

O Saci e o Eucalipto

1
Um dia fui passear
Lá no reino encantado
E em cima de um cupim
Eu vi o saci sentado
Com os olhos cheios d?água
Que há pouco tinha chorado
Então lhe perguntei
Por que estava desolado

2
Deu um rodamoinho
E ele me respondeu
Olha para as montanhas
Veja o que aconteceu
Plantaram uns paus compridos
Que depressa cresceram
Todos os bichos foram embora
E alguns até morreram

3
É o tal de eucalipto
Planta que não é daqui
Uma mata silenciosa
Que acabou com tudo ali
Os macacos foram embora
Até o mico e o sagüi
Que saudade do sabiá
Do sanhaço e o bem-te-vi

4
Esta planta suga a terra
As nascentes estão secando
Nossos rios caudalosos
Devagar vão se acabando
As fazendas destruídas
Pelas máquinas vão tombando
O caipira sem destino
Pra cidade está mudando

São, no total, 32 estrofes. Você pode ler a íntegra do poema aqui.